16.9.20

BD Curta / Short Comic: #5 – O Soba / The Soba

Este 5º trabalho é a minha primeira BD inédita. No início de 2017 fui contratada para fazer ilustrações para o livro de Américo Dimas Netto, Contos de Sabedoria, editado pelo Município de Montijo. É um relato histórico das origens do povo Bantu desde tempos ancestrais até às suas raízes actuais em Angola, contadas pelo idoso sábio de uma aldeia, denominado “Soba”, que é tradicionalmente a memória da comunidade e quem transmite em encontros o passado comum.
Produzi 8 desenhos de locais famosos de Angola, juntamente com uma ilustração introdutória do Soba, além de arte da capa. E, na época, falámos em adaptar o livro para banda desenhada, dada a relevância histórica como documento para jovens leitores. Estas páginas são uma amostra inicial desse argumento, apresentando o personagem Soba e suas configurações. Pretendíamos editar a BD no final do livro, mas essa seção acabou por ser ocupada por ditados populares.

A arte foi desenhada em caneta esferográfica com acabamento em aguadas. A história foi composta por mim, a partir do manuscrito de Américo Dimas Netto.


This 5th work is my first unpublished comic. In early 2017, I was hired to draw illustrations for the book by Américo Dimas Netto, Contos de Sabedoria/Tales of Wisdom, published by Montijo municipality. It's an historical recounting of Bantu people's origins from ancestral times until their current roots in Angola, as told by a village's elderly cheiftain, called “Soba,” who is traditionally the community's memory and relays their past in gatherings.
I produced 8 drawings of famous Angola landmarks, along with an introductory illustration of the Soba, plus cover artwork. And, at the time, we talked of adapting the book into graphic novel, given its historical relevance as an document for young readers. These pages are an early sample of that pitch, presenting the Soba character and his settings. We meant to publish it in the back of the book, but that section was ultimately taken by an assortment of popular sayings.

The artwork was drawn in regular ballpoint pen with finishes in ink washes. The story was composed by me, based on the manuscript by Américo Dimas Netto.

15.9.20

Brussels Comics Strip Festival: Uma Janela para o Mundo / A Window to the World

A convite do autor/director da Bedeteca de Beja, Paulo Monteiro, integro este ano a exposição Portuguesa na 11ª Fête de la BD – Brussels Feest, ou Brussels Comics Strip Festival. A mostra, organizada pela Embaixada Portuguesa em Bruxelas e Bedeteca de Beja, em parceria com o Instituto Camões, decorre de dia 10 a 20 de Setembro e intitula-se “Uma Janela com Vista para o Mundo,” que inclui 15 autoras contemporâneas de banda desenhada. A exposição pode ser visitada em FêtedelaBD-Portugal, onde estão disponíveis duas pranchas de cada autora, as respectivas biografias e videos com depoimentos pessoais.
Uma Janela com Vista para o Mundo” reune BDs de Bárbara Lopes, Carla Rodrigues, Inês Cóias, Joana Afonso, Joana Mosi, Maria João Worm, Marta Teives, Patrícia Guimarães, Raquel Costa, Rita Alfaiate, Silvia Rodrigues, Sofia Neto, Sónia Oliveira, Susa Monteiro e Susana Resende.
O foco do festival de 2020 foi também complementado por um colóquio digital sobre A Mulher na BD: Uma perspectiva Europeia.

UMA JANELA COM VISTA PARA O MUNDO
Desde muito cedo, a banda desenhada portuguesa teve sempre mulheres artistas nas suas fileiras. É impossível percorrer a história da banda desenhada portuguesa sem citar os nomes de Bixa, Manuela Torres, Maria Teresa Andrade Santos ou Raquel Roque Gameiro. Ou Alice Geirinhas, Ana Cortesão, Catherine Labey, Isabel Lobinho, etc.
Na verdade, existem muitas vozes variadas no feminino. Cada uma com seu próprio corpo e respiração… Na última década, esse número cresceu exponencialmente. Tão exponencial que é impossível dar um panorama geral da produção realizada por mulheres artistas em tão curto espaço. Deixamo-vos apenas a visão de 15 das muitas dezenas de mulheres que abrem janelas para o mundo tendo a história em quadrinhos como ponto de partida. Todas elas expuseram o seu trabalho no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, principalmente em exposições individuais…

At the invitation of author/director of Beja Comics Library, Paulo Monteiro, I will be part of this year's Portuguese exhibition at the 11th Fête de la BD – Brussels Feest, or Brussels Comics Strip Festival. The show, organized by the Portuguese Embassy in Brussels and Beja Comics Library, in partnership with the Camões Institute, is held from September 10th to 20th and is titled "A Window with a View to to the World,” which includes 15 contemporary portuguese female comic authors. The exhibition can be visited in FêtedelaBD-Portugal, where two pages are available from each author, along with their respective biographies and videos with personal testimonials.
A Window with a View to the World” brings together comcis by Bárbara Lopes, Carla Rodrigues, Inês Cóias, Joana Afonso, Joana Mosi, Maria João Worm, Marta Teives, Patrícia Guimarães, Raquel Costa, Rita Alfaiate, Silvia Rodrigues, Sofia Neto, Sónia Oliveira, Susa Monteiro and Susana Resende.
The focus of the 2020 festival was also complemented by a digital round table on “Women in Comics: A European perspective.”

A WINDOW WITH A VIEW TO THE WORLD
From a very early age, Portuguese comics always had women artists in their ranks. It is impossible to go through the history of Portuguese comics without mentioning the names of Bixa, Manuela Torres, Maria Teresa Andrade Santos or Raquel Roque Gameiro. Or Alice Geirinhas, Ana Cortesão, Catherine Labey, Isabel Lobinho, etc.
In fact, there are so many varied voices in the feminine. Each with its own body and breathing… In the last decade, this number has grown exponentially. So exponential that it is impossible to give a general overview of the production carried out by women artists in such a short space. We leave you only the view of 15 out of many dozens of women who open windows to the world with the comic strip as a starting point. They all have exposed their work at the International Comics Festival of Beja, mainly in individual exhibitions…

11.9.20

BD Curta / Short Comic: #4 – 24

A minha 4ª banda desenhada foi a primeira que desenhei com argumento doutro autor. Aconteceu ao ser convidada pelo escritor André Oliveira para participar na sua rubrica mensal na revista CAIS (#212), que consistia em duas páginas em disposição dupla/spread. Sendo a edição de Dezembro, a temática foi natalícia e, numa situação igualmente inédita para mim, tratou-se de uma narrativa silênciosa.
Intitulado “24,” o André optou por ser descritivo no argumento, dado nunca termos colaborado antes e por eu ainda ser estreante no sector, mas foi entusiasmante criar os raccords visuais entre as vinhetas e ligar as várias cenas numa sequência global.
A nível técnico, voltei a desenhar tradicionalmente numa prancha (formato A4) e colori digitalmente em Photoshop. Neste trabalho, levei em consideração o tipo de papel em que a revista é publicada, poroso, e favoreci um desenho com mancha em grafite e cores digitais soltas, por serem melhor reproduzidas naquele suporte.

24” foi reeditada em 2018 na antologia Almanaque: Curtas de BD, da editora Bicho Carpinteiro. Esta reproduziu a 2ª metade de 'curtas que o André escreveu na CAIS, assim como algumas BDs inéditas. Para além de estar presente na apresentação na Casa da Cultura de Setúbal, também intervi na sessão no festival 29º Amadora BD, onde participei na respectiva sessão de autógrafos.


My 4th short comic was the first one I drew with a script by another author. It happened when I was invited by writer André Oliveira to participate in her monthly series in magazine CAIS (# 212), which consisted of two pages in double spread display. Being the December edition, the theme was Christmas and, in an equally unprecedented situation for me, it was a silent narrative.
Titled “24,” André chose to be descriptive in the script, since we hadn´t collaborated before and because I was still a newcomer in the medium, but it was exciting to create the visual raccords between the panels and connect the various scenes into a global sequence.
In a technical level, I went back to traditionally drawing on a board (A4 format) and digitally colored it in Photoshop. In this work, I took into account the type of paper on which the magazine is published, which is porous and newspaper-like, and therefore I favored a drawing with graphite stains and loose digital colors, as these would print better on that support.

24” was republished in 2018 in the anthology Almanaque: Curtas de BD/Almanac: Short Comics, by indie publisher Bicho Carpinteiro. This book reproduced the second half of 'shorts that André wrote for CAIS, as well as included unpublished stories. In addition to being at the presentation in Casa da Cultura in Setúbal, I also spoke at the 29th Amadora BD, where I participated in the autographs session.




10.9.20

BD Curta / Short Comic: #3 – Navegador (2015)

A meio caminho da tour pelas primeiras BDs, visito o 3º trabalho, “Navegador,” a banda desenhada mais longa que fiz e também a primeira colorida. A convite de Pedro Saavedra, editor da revista cultural Gerador, foi-me colocado o desafio para contribuir para o #6, sob o tema Património Português. Dado este pouco me apelar, pensei em misturá-lo com assuntos que me entusiasmam e, assim, tentei criar algo que explorasse abordagens menos vistas; por exemplo, e se cruzasse Descobrimentos com Creepy Pastas? Entre pesadelos e visões negras, procurei mostrar uma ambiência fantasmagórica, onde uma fantasma assola o navio e acaba por ter um papel importante no destino da tripulação.

Desta vez, o trabalho desafiou-me de formas diferentes face às anteriores BDs. A escrita exigia uma atenção cuidada, tendo a proposta de ser aceite pelo editor, e o prazo curto para a produção forçou-me a desenhar em A4 e a colorir digitalmente – algo que nunca tinha feito antes. Tal como nas outras BDs, foi uma situação de ir aprendendo enquanto fazia!
Embora a coloração digital se tenha tornado acessível depois de me ambientar à técnica, a escrita, por sua vez, foi complicada. A história inicial que escrevi tomou controlo do processo e acabei por escrever uma narrativa que só podia caber em 60 páginas, não 6...! Essa história, que guardei, tornou-se a base de um dos projectos que estou actualmente a desenvolver. Decidi então escrever uma espécie de prequela para a história maior, a qual acabou por ser a BD publicada.




Halfway through the tour of my first short comics I visit the 3rd work, “Navegador,” the longest story I did and also the first one in color. Invitated by Pedro Saavedra, publisher of the cultural magazine Gerador/Generator, I was challenged to contribute to #6, under the theme Portuguese Heritage. Given this held little appeal to me, I thought about mixing it with subjects that thrilled me and, thus, I tried to create something that explored rarer approaches; for example, what if I crossed The Discoveries with Creepy Pastas? Between nightmares and dark visions, I tried to show a ghostly ambience, where a spirit ravages the ship and ends up playing an important role in the crew's destiny.
This time, the work challenged me in different ways compared to previous comics. The writing required careful attention, given the publisher had to accept my proposal, and the short deadline for production forced me to draw in a standard sheet and color it digitally – something I hadn't done before. As with other comics, it was a situation that demanded I learn while doing it!

Although digital coloring became accessible after getting used to the technique, the writing, in turn, was complicated. The initial story I wrote took control of the process and I ended up penning a narrative that could only fit in 60 pages, not 6...! That story, which I kept, became the basis for one of the projects that I am currently developing. I then decided to write a sort of prequel to that bigger story, which ended up being the published comic.

Na altura, dois dos principais críticos de BD da comunidade portuguesa - Geraldes Lino e José de Matos-Cruz - fizeram destaque ao trabalho, que foi bem recebido.
At the time, two of the premier critics for the portuguese comics community - Geraldes Lino and José de Matos-Cruz - commented on the work, that was well received. 

9.9.20

BD Curta / Short Comic: #2 – Ceifeira (2015)

Continuando a rever as minhas BDs iniciais, hoje destaco o 2º trabalho, uma colaboração na iniciativa coordenada pelo autor/editor Daniel Maia, Cadavre Exquisito! Começada em 2008 e concluída em 2015, o projecto tentou reunir o maior número de sempre de autores numa BD colectiva, feita em prancha autoconclusiva e em sistema cadavre exquis – o processo de criação desenvolvido pelos pintores Surrealistas, onde cada novo artista elabora sob o trabalho anterior, realizando assim uma improvisação gráfica livre de contextos óbvios. E nesse sentido foi bem-sucedido, tendo propiciado 52 pranchas de banda desenhada por 56 criadores!

De início hesitei, mas assumi a penúltima página (#51). Todavia, excedi o limite do desafio e acabei por criar uma mini história na prancha singular. Embora a narrativa não possa ser separada por completo da BD colectiva, é uma sequência que pode ser lida isoladamente e, posteriormente, para fazer justiça ao conto que imaginei, reconfigurei a prancha para funcionar como página dupla, para que os desenhos a grafite detalhados e as expressões das personagens pudessem ser melhor apreciados.
Neste trabalho, também quis experimentar um processo diferente e desenhei as vinhetas em separado, sem limite de espaço, para montá-las depois digitalmente. Com essa liberdade, cada vinheta tomou a proporção duma ilustração, nas quais contei a vida de uma personagem vilã no contexto da BD colectiva mas à qual conferi a dimensão de mulher traída, em busca de vingança.


Continuing to review my initial comics, today I highlight the 2nd work, a collaboration in an initiative coordinated by author/editor Daniel Maia, Cadavre Exquisito! Started in 2008 and completed in 2015, the project tried to bring together the biggest number of portuguese authors to ever contribute to a comic, with each creating in a self-contained page in cadavre exquis (or exquisite corpse) system – the artistic process developed by Surrealist painters, where each new artist elaborates under the previous work, thus performing a graphic improvisation free of obvious contexts. And in that sense it succeded, having produced 52 comic pages by 56 creators!

At first I hesitated, but took on the penultimate page (#51). However, I exceeded the challenge limit and ended up creating a mini story on the one page. Although the narrative cannot be completely separated from the collective comic, it is a sequence that can be read by itself. And later on, to do justice to the story I had imagined, I reconfigured the page to function as a double, so that the detailed drawings and the characters' expressions could be better appreciated.
For this work I also wanted to try a different approach and drew the panels separately, with no space limitation, and assembled them digitally afterwards. With that freedom, each vignette took on the proportions of an illustration, in which I told the life of a villainous character in the context of comic, but whom I depicted as a betrayed woman in search of revenge.

6.9.20

BD Curta / Short Comic: #1 – Sayonara (2013)

Diz a ciência que o nosso corpo altera-se por completo a cada sete anos. Passados esses tantos anos desde que me estreei em banda desenhada, posso assegurar que actualmente sou uma artista completamente diferente. Em especial porque, após a entrada no sector, participando em antologias e revistas, em exposições e eventos, decidi estudar a fundo os princípios da Arte Sequencial, ao ponto de, inesperadamente, me ver ocupada nos últimos anos a leccioná-los em (sete) acções de formação, masterclasses e workshops.
Nesse período, ajudei outros talentos a arrancar na área da narrativa visual e sinto-me realizada por isso, tendo os meus ex-formandos vencido prémios, realizado álbuns e desafiado-se de inúmeras outras formas no sector. Em paralelo, também co-fundei o colectivo Tágide, que contribuí para a comunidade com actividades e com a antologia Outras Bandas, que entretanto foi reconhecida pelo público leitor.

Todavia, estou actualmente de volta ao estirador, agora munida do conhecimento que me faltava antes, e cheia de ideias para novas BDs, de histórias curtas a novelas gráficas. Para marcar esta nova fase, nos próximos dias vou visitar por ordem editorial as minhas BDs iniciais.



Em 2012, após participar nas ilustrações d'O Infante Portugal vol.3 e expor desenhos da sua adaptação para banda desenhada no festival 23º AmadoraBD, fui convidada pelo autor/editor Fil (Asc. Tentáculo) a criar uma história curta para a sua próxima antologia, Zona Nippon 2. Publicada em Abril 2013, no salão Anicomics, recebi feedback positivo apesar de ser o meu primeiro trabalho na área. Inclusivamente, em 2014 fui nomeada pelo júri especializado do XII Troféus Central Comics na categoria Melhor Obra Curta, alcançando o 2º lugar (cujo vencedor foi a dupla profissional de André Oliveira e Jorge Coelho).
A história, “Sayonara,” foi inspirada na então recente tragédia de Fukushima e escrita na forma de haiku (poema japonês). Mostrei um pai e filha a viajar por ruínas até ao local da sua antiga casa, onde fazem as suas últimas despedidas à esposa/mãe falecida no desastre.
A escolha do grafismo foi tão fundamental no trabalho quanto a escrita do haiku, porque quis que a arte insinuasse o realismo daquele drama e, esteticamente, fizesse uma ponte para a economia de traço e valores tonais da Estampa Japonesa. Podem ver alguns estudos e trabalhos em progresso aqui.



Science says that our bodies change completely every seven years. After those many years passed since I started out in comics, I can assure you that I am a completely different artist today. Especially because, after breaking in the field, by participating in anthologies and magazines, in exhibitions and events, I decided to study in depth the principles of Sequential Art, to the point that, unexpectedly, I found myself busy in recent years teaching them in (seven) comics courses, masterclasses and workshops.
During this period, I helped other talents try their hand in visual narrative and I feel fulfilled by that, having my former strudent won awards, created graphic novels and challenged themselves in countless other ways in this area. At the same time, I also co-founded the Tágide collectivety, which contributes to the community with activities and with the Outras Bandas anthology, which has been recognized by the readers.

However, I am currently back at the drawing board, now armed with the knowledge I lacked before, and full of ideas for new comics, from short stories to graphic novels. To mark this new phase, in the coming days I will tour my initial comics works in publication order.

In 2012, after participating with illustrations in O Infante Portugal vol.3 and showcasing drawings from its adaptation into comics at the 23rd AmadoraBD festival, I was invited by author/publisher Fil (Assc. Tentáculo) to create a short story for his next anthology, Zona Nippon 2. Published in April 2013, at the Anicomics salon, I got positive feedback despite it being my first work in the medium. In 2014, I was nominated by the XII Central Comics Trophies' jury for the Best Short Comic category, reaching 2nd place (the winners were the professional duo of André Oliveira and Jorge Coelho).
The story, “Sayonara,” was inspired by the then recent Fukushima tragedy and written in the form of haiku (Japanese poem). I depicted a father and daughter traveling through ruins to their old home, where they made their last farewells to the wife/mother, who died in the disaster. The choice of drawing style was as fundamental in the work as the haiku writing, because I wanted the art to help imply the realism of that drama and, aesthetically, to bridge it to the economy of lines and the tonal values seen in Japanese Print. Check out some studies and WiP here.

5.9.20

III Iniciação à Arte Sequencial - Amostras / Samples

Após adiamentos, a compilação dos trabalhos finais dos formandos dos meus cursos bedéfilos Iniciação à Arte Sequencial, promovidos pela Câmara Municipal de Montijo, está finalmente a um passo da edição! Uma vez aprovada a realização do 3º curso no final de 2019, foi decidido aguardar pela inclusão das BDs criadas no módulo de atelier deste. Porém, o cenário pandémico do 1º semestre levou à extensão do prazo de entrega das obras; agora, embora nem todos os artistas tenham concluído as suas BDs, tenho o prazer de apresentar novas amostras destes alunos, a maioria dos quais estreantes absolutos no sector!

Tal como antes, os trabalhos são unificados por temática alusiva ao município do Montijo, dentro da qual desenvolveram as narrativas. Neste grupo, temos os autores experientes Jorge Rodrigues e José Bandeira, e outros com percurso prévio na área, como a Filipa Lopes, Rafael Marquês e Yves Darbos, e os talentos iniciantes Alexandre Silva, Beatriz Fernandes & João Gabriel Coelho (que fizeram parceria) e João Pedro Marques.
Somando às sete BDs resultantes do 1º curso (por metade dos formandos que concluíram a acção de formação) e às quatro BDs saídas do 2º curso (também representando metade dos alunos bem sucedidos no curso), a antologia BD Montijo compilará 18 histórias curtas por autores recém-chegados à nossa comunidade de banda desenhada. Um total de 20 novos artistas! A antologia irá também reunir trabalhos dos colegas - de quem estou igualmente orgulhosa -, resgatados de exercícios das aulas.

Mais uma vez, é com grande satisfação que observo os resultados deste desafios e fico a desejar que este seja um primeiro degrau nos seus percursos autorais.


After some delay, the compilation of the final works by graduates of my Initiation to Sequential Art comics courses, promoted by Montijo City, is finally one step away from publication! Once the 3rd course was approved in 2019, it was decided to wait for the inclusion of the comics created in this course's workshop. However, the worldwide pandemic forced the deadline to be extended; now, although not every artist decided to follow through with their stories, I am pleased to present new samples by these last students, most of whom are absolute newcomers to the field!

As before, the works are unified by a theme alluding to Montijo, within which they could develop their narratives. In this group, we have the experienced authors Jorge Rodrigues and José Bandeira, and some with previous experience in the area, like Filipa Lopes, Rafael Marquês and Yves Darbos, and the new talents Alexandre Silva, Beatriz Fernandes & João Gabriel Coelho (that partered up) and João Pedro Marques.
In addition to the 7 short comics resulting from the 1st course (by half the students who completed the course) and the 4 others from the 2nd course (also representing half of the successful students there), the anthology BD Montijo/Montijo Comics will collect 18 short comics by newcomer authors to the Portuguese comics community. A total of 20 new artists! The anthology will also showcase works by their colleagues - of whom I'm equally proud -, selected from class exercises.
Once again, it is with great satisfaction that I witness the results of these challenges and am left hoping that this will be a first step in their artistic paths!

31.8.20

Tágide: Cadavre Exquis

Há um ano atrás, após o colectivo Tágide – que co-fundei com os formandos dos meus cursos de BD e com outros autores locais – ter publicado o primeiro fanzine, decidimos colaborar numa história feita em sistema cadavre exquis. Este é um recurso artístico para criar associações livres de contextos óbvios, desenvolvida pelos artístas plásticos Surrealistas, mas que tem sido utilizado pela banda desenhada para produzir colaborações diversas.
Coordenado pelo Daniel Maia, o título genérico Ossadas do Ofício foi usado apenas para albergar as expontaneidades criativas, mas a acção foi improvisada sequência após sequência pelos colaboradores. E, actualmente, com mais de 25 vinhetas/tiras desenhadas, estamos na recta final para concluir a BD.

Estas são as minhas duas intervenções até à data, respectivamente a 1ª vinheta, que dá mote à acção, e a sensivelmente meio da narrativa, onde já pude participar na improvisação criativa.
Podem ler a BD na integra no blog TágideBD, nas publicações respectivas (1, 2, 3, 4, 5).

A year ago, after the collectivity Tágide – which I co-founded with the graduates of my comics courses and with other local authors – published its first fanzine, we decided to collaborate on a story made in cadavre exquis system. This is an artistic resource that helps to create free associations from any obvious contexts, developed by the Surrealistic artists, but which has been used frequently by comics to produce diverse collaborations.
Coordinated by Daniel Maia, the generic title Ossadas do Ofício/Bones of the Trade was found just to accommodate the creative spontaneities, but the action was improvised sequence after sequence by the collaborators. And, today, with over 25 panels/comic strips drawn, we are on the final stretch to finish the project.

These are my two interventions to date, respectively the 1st strip, that sets the tone for the action, and the roughtly halfway point of the narrative, where I got to participate in the creative improvisations.
You can read the entire comic experiment on TágideBD blog, in the respective publications (1, 2, 3).

24.8.20

Cartadas de Cães & Gatos - Últimos dias / Final days.

A minha exposição “Cartadas de Cães & Gatos”, na Casa Mora – Museu Municipal do Montijo, entra na última semana de exibição, encerrando a 31 de Agosto. A mostra contém mais de cem desenhos individuais, assim como diversos estudos preliminares e esboços, criados para os baralhos de cartas ilustrados Gatos Baralhados (2018) e Baralhadas de Cães (2019), integrados na colecção Autor da editora Apenas Livros, gerida por Fernanda Frazão.
Aproveitem os últimos dias, pois esta exposição não se repetirá. E aos visitantes interessados em adquirir os baralhos expostos, sff peçam o meu contacto na recepção, para vos fazer chegar o(s) artigo(s).

A galeria funciona entre 3ª-feira e Sábado, das 9h-12h30 e 14h-17h30, na Av. Pescadores 52, Montijo.

 
My exhibit “Cartadas de Cão & Gatos”, at Casa Mora - Montijo Municipal Museum, enters the last week of exhibition, ending on August 31st. The show contains more than one hundred individual drawings, as well as several preliminary studies and sketches, created for the illustrated decks of cards Gatos Baralhados/Shuffled Cats (2018) and Baralhadas de Cães/Dogs Schuffles (2019), integrated in the Author collection of publisher Apenas Livros, directed by Fernanda Frazão.
Enjoy these last few days, as this exhibition will not be reprised. And to visitors interested in purchasing the decks of cards, please ask for my contact at the reception to make arrangements to buy the article.
 
The gallery is open between Tuesday and Saturday, from 9am-12:30pm and 2pm-5:30pm, at Av. Pescadores 52, Montijo. Tel. 212327784


 Actualização: A pedido da gestão da Casa Mora - Museu Municipal do Montijo, a exposição ficará patente até dia 11, sexta-feira.

20.8.20

Comissões V / Commissions V - Apollo & Mia

Na sequência da comissão do Biscoito, quis olhar para anteriores comissões com animais de estimação. Estas duas peças, de 2016, são do gato Apollo, do meu companheiro, oferecido à sua avó, e da gata Mia, oferecido a uma familiar. Enquanto que o desenho do Apollo foi criado em papel kraft com lápis de cor, a pintura da Mia usou uma técnica mista de guache e tintas acrílicas.


Following my Biscoito comission, I'm looking back to prior pets commissions. These two pieces, from 2016, are of my partner's Apollo, offered to his grandmother, and of Mia, to offer a family member. While the Apollo drawing was created on kraft papel with colored pencils, the Mia painting used a mixed tecnique of guache and acrylics paints.

18.8.20

Comissões IV / Commissions IV - Isis & Ted

Após a comissão do Biscoito na semana passada, quis recuar o relógio e visitar os primeiros retratos de animais de estimação. As duas primeiras pinturas vêem de 2005, do último ano de faculdade, quando estava a trabalhar em modelações de luz+sombra com acrílicos: a primeira peça mostra a Isis e dona, e o segundo é o Ted da minha mãe.
Sempre me orgulhei de capturar as essências destes gatos nos esboços pintados, apesar das expressividades plásticas. A primeira composição foi produzida a partir de foto, mas a segunda pintei ao vivo.


After last week's Biscoito commission, I wanted to wind back the clock and visit some of my earliest pets portraits. This first couple of paintings are from 2005, on my final year in college, when I worked on light+shadow modulations with acrylics: the first artwork shows Isis with her owner and the second is my mom's Ted.
I always prided myself in capturing these cats essences in the painting sketches, in spite of the texture or expressions. The first composition was produced from a photo, but the second I painted live.

9.8.20

Comissões III / Commissions III - Biscoito

Uma visitante da minha primeira ida ao Beco de Artistas da Comic Con Portugal '2018 encomendou-me recentemente um desenho do cão Biscoito com os brinquedos favoritos, para oferta. Esta ilustração foi gira de fazer e, curiosamente, foi em direcção a um conceito que queria explorar na área das comissões – criar retratos de animais de estimação; algo que ensaiei no evento. E, de súbito, um punhado de comissões similares caiem-me no estirador.
Estas são algumas fotos do desenho em progresso, desde esboços iniciais até à coloração final. Espero que gostem tanto quanto o Biscoito!



A visitor from my first Comic-Con Portugal's Artists Alley has recently commissioned me to draw the dog Biscuit along with his favorite toys, to offer her sister. This illustration was a blast to do and, funny enough, went towards a concept that I had wanted to explore in the commissions field – to create pet portraits; something that I had rehearsed in the event. And, just like that, a handful of new requests fall on my worktable.
These are some work in progress photos, from rough sketches to the finalized coloring. Hope you enjoy it as much as Biscuit did!

6.8.20

Conan - Esboços / Sketches

No início do ano, fui convidada pela editora Saída de Emergência a integrar o grupo de ilustradores do próximo livro de tributo aos maiores escritores da ficção fantástica, intitulado Os Contos mais Épicos de Conan, por Robert E. Howard (1900-1936). O livro, que reúne os mais aclamados contos curtos e novelas do famoso Cimério, conta com a imaginação de dezenas de autores nacionais e deixou espaço para um colaborador estreante, que será seleccionado através de concurso.
Escolhi ilustrar o conto “Bandidos da Casa” (1934), do qual mostro aqui um esboço...

Earlier this year, I was invited by the publisher Saída de Emergência to join the group of illustrators for the next tribute book to the greatest writers of fantasy fiction, entitled The Most Epic Tales of Conan, by Robert E. Howard (1900-1936). The book, which gathers the most acclaimed short stories and novelas by the famous Cimmerian, has the imagination of dozens of portuguese artists and left space for a newcomer, who will be selected through a contest.
I chose to illustrate the short story "Rogues in the House" (1934), of which here's a sketch...

25.7.20

Novo estúdio de casa | New home studio

Após um ano de renovação, finalmente mudamo-nos para o nosso novo apartamento... Uff! Uma das vantagens da mudança foi puder renovar o meu estúdio domiciliar; ainda é um trabalho em progresso, à espera da chegada de novos armários de livros e materiais, mas este espaço já é uma grande melhoria face às áreas de trabalho improvisadas com que tive que me desenrascar nos anos anteriores.
Além de ter minha literatura de trabalho, além de BD e livros de arte num só sítio, também organizei arquivos de trabalhos e de projetos, e estou no processo de arrumar as pastas de portfólio. Além disso, agora que designei gavetas para materiais e outros instrumentos, não haverá mais desperdício – não podia imaginar o quanto tinha em duplicado ou triplicado, ou até quantos tubos de tinta se tinham estragado...
Mas o melhor de tudo é que arrumei a sala para dividir a mesa do computador do estirador de desenho, o que me permite coordenar melhor as diferentes tarefas.
Espero que tenham gostado desta breve tour!


After a year long renovation, we have finally moved into our new apartment... Uff! One of the perks of this move was that I got to redo my home studio; it's still a work in progress, pending the arrival of new books and crafts cabinets, but this space already is a major improvement from the improvised work areas that I had to make do with in previous years.
Aside from having my work literature plus comics and art books all in one place, I also organized my work and projects files, and am in the process of sorting out my portfolio briefcases. Also, now that I have designated drawers for materials and such, there won't be anymore waste – I couldn't imagine how much I had in doubles or triples, or how many paint tubes had gone bad...
But best of all is that I arranged the room so as to divide the computer desk from the drawing board, which allows me to coordinate better the tasks at hand.
Hope you enjoyed this brief tour!
 

8.7.20

Dança da Morte de Hans Holbein | Hans Holbein's Dance of Death [Apenas Livros]

O 3º e último baralho de cartas de jogar coleccionáveis da Apenas Livros focados em gravuras antigas – e também o primeiro a estar disponível – é Dança da Morte de Hans Holbein.
Baseado na alegoria “Dança Macabra,” por vezes também dita “Dança dos Mortos,” esta trata-se de um género artístico-literário surgido no final da Idade Média que exprime como a Morte levará todos, independentemente de estatutos sociais ou virtudes. Criada na sombra do impacto da Peste Negra e das inúmeras guerras religiosas do séc.XVI, e atribuída a Hans Holbein o jovem, esta série de gravuras em madeira editadas pela primeira vez em 1538 popularizaram esta sátira reformista em 54 imagens diferentes, onde ninguém escapa à Morte, que surge disfarçada de várias formas para capturar as suas incautas vitimas.

Adaptadas para cartas de jogar, as ilustrações estão agora envolvidas por frisos recuperados de livros, também assinados por Holbein – um para cada naipe –, e apesar do contexto negro deste baralho tive igualmente um enorme gosto em trabalhar o grafismo e design desta série. Acredito que o resultado irá agradar a todos os coleccionadores de gravuras.
Numa altura em que o nosso quotidiano parece olhar para trás nos séculos e se deixa expor de novo aos horrores de pandemias e quarentenas, nunca é demais lembrar que a humanidade foi desafiada deste modo anteriormente e que todos estamos vulneráveis ao velho Ceifeiro.


Dança da Morte de Hans Holbein estará disponível no início de Agosto através da editora e, mais tarde, nas lojas do Imprensa Nacional Casa da Moeda e da Direcção-Geral do Património (museus).


Dança da Morte de Hans Holbein
Apenas Livros
Coordenação: Fernanda Frazão
Design/Grafismo: Susana Resende
Formato: Cartolina Mate 305gr (6,3'x8,8'/Formato Poker)
1ª Edição: Agosto de 2020 | Tiragem: 500ex | PVP. 15€


The 3rd and final collectible deck of playing cards from Apenas Livros focused on antique engravings – and also the first to be available – is Hans Holbein's Dance of Death. Based on the allegory “Dance Macabre,” sometimes also called “Dance of Death,” this is an artistic-literary genre that emerged in the late Middle Ages to expresses how Death will take everyone, regardless of social status or virtue. Created in the shadow of the Black Plague's impact and of the countless religious wars of the 16th century, and attributed to Hans Holbein the younger, this series of wood engravings published in 1538 popularized this reformist satire in 54 different images, where none escapes Death, which appears disguised in various ways in order to capture its unsuspecting victims.

Adapted for playing cards, the illustrations are surrounded by friezes recovered from books, also signed by Holbein – one for each suit –, and despite the dark context of this deck, I also had a great time working on this series' graphics and design. I believe the end result will please all engravings collectors.

At a time when our daily lives seem to look back over the centuries and allow ourselves to be again exposed to the horrors of pandemics and quarantines, it never hurts to remember that humanity was previously challenged in this way and that we are all vulnerable to the Grim Reaper.
Hans Holbein's Dance of Death
will be available in early August through the publisher and, later, in the stores of National Press Casa da Moeda and in Heritage General-Directorate (museums).